História da publicidade brasileira – Parte 1

Neste próximo mês, farei alguns posts sobre redação publicitária. Serão dedicados a história da propaganda brasileira. Vou contar algumas coisas que acabei por descobrir neste pouco tempo de curso e que achei um pouco curioso, as vezes. Na verdade, este post é o mais curioso deles, vamos lá.

Como não poderia ser diferente, tudo aquilo que era dito moderno veio ao Brasil com a fuga estratégica de Dom João para terras brazucas. A comunicação (publicidade, jornalismo e relações públicas), de um modo geral, também veio de navio direto de Portugal para cá, em 1808.

Nem tudo era como nos dias de hoje onde o anúncio é, basicamente, uma foto com o nome e vantagens do produto/marca mais uma frase impactante, um slogan. Alguns podem não saber, mas marketing direto e marketing de guerrilha não existiam neste período. No começo do século retrazado, os anúncios eram curtos e sem imagem ou fotografia alguma.

Quatro exemplos de anúncios veiculados durante o século XIX pelo jornal Gazeta do Rio de Janeiro.

NEGRINHA. Compra-se uma de 12 anos para fóra. Informe-se com Francisco Guedes, rua da Imperatriz.

AMA DE LEITE. Oferece-se uma sem filho, na rua Aurora[bb] n. 10.

UM SUJEITO. Vindo ultimamente de Lisboa, se propõe a ensinar as línguas francesa e inglesa.

ALUGA-SE. Um preto bom de cozinheiro, e um bom moleque para criado e copeiro, na rua da Alfândega n. 97.

Por acaso, este tipo de anúncio lembrou você o que chamamos hoje de classificados? Exato. Os classificados já circulavam naquela época e foi a primeira pincelada de publicidade em mídias aqui no país. O curioso são os produtos/serviços que eram divulgados naquela época.

Apesar de jornal nesta época ter uma tiragem muito limitada, os anúncios começaram a ganhar espaço dentro da mídia impressa. E o fato de que apenas uma elite lia estes jornais (porque eram os únicos alfabetizados), algumas vezes acabavam sendo escritos em francês. (Que chique, meu amooor!)

Nada mudou até 1875 onde resolveram anexar junto ao texto publicitário, imagens. Jornais como o Mequetrefe e O Mosquito (ambos do Rio de Janeiro) acabaram ditando este novo formato de divulgação impressa de produtos através de imagens, ilustrações, desenhos e litogravuras.

Nesta época, onde valia muito a opinião do vizinho junto com o falatório da cidade (fofoca/boca-boca), curiosidades aconteceram. Uma delas foi o comunicado de Henri Nestlé a respeito da falsificação de seus produtos, aqui no Brasil.

Farinha Lactea

Eu, abaixo assinado, Henri Nestlé, fabricante da farinha Lactea (farine Lacteé) em Vevey, na Suíça, declaro que tenho um só e único agente no Brasil, o sr. D. Felippone, da rua do Ouvidor n 93, no Rio de Janeiro, e que por conseqüência todas as pessoas, que quiserem ter a certeza de obter o verdadeiro produto de minha fábrica, deverão verificar se se acha escrito no rótulo, em português, o nome do sr. Filippone. Faço esta declaração por ter chegado ao meu conhecimento que se vendem, com meu nome, caixas de farinha falsificada. Vevey, 28 de agosto de 1876. Assinado, Henri Nestlé. Único agente em São Paulo, Henrique L. Levy.

Quando que hoje um presidente colocaria este tipo de comunicado em um jornal? Só no tempo antes do guaraná com rolha mesmo… Este formato durou tempo. Os anúncios foram veiculados até o início do século XX. Mais ou menos por aí.

Fonte: A Evolução do Texto Publicitário – João Anzanello Carrascoza



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Posted on by Hamilton Posted in Discursando, Publicidade, Universidade

Responder como História da publicidade brasileira – Parte 1

  1. Naira

    Que swou, amei ler a história da publicidade brasileira, continue postando esse tipo de historia pois estou fazendo publicidade e me amarro ler tudo sobre esse assunto. Obrigada!

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