O dia em que me tornei uma lenda pegando outra lenda.

Postado dia September 15th, 2008 em Bizarrices, Blogs, Bobagem, Mi Vida Conmigo por Hamilton

Vou começar esse post deixando uma coisa clara: todo ser humano é um imbecil até que se prove ao contrário. Mais dia ou menos dia, você acabará por utilizar a bebida como um elixir de coragem para fazer determinadas coisas que sóbrio você não faria. E ela, a bebida, pode ser usada como um catalisador tanto para o bem quanto para o mal. Se duvida, pergunte para seu melhor amigo (UUUUUUUIIIII) ou seu pai, eles já devem ter feito algo do tipo.

Era uma vez eu, numa galáxia não muito distante, tive uma primeira namorada. Massa. Ela vinha na minha casa, eu ia na casa dela, saímos de mãos dadas, nos agarrávamos por aí, era legal. Mas tudo tem uma hora para acabar, só não imaginei que fosse assim tão direto.

Um dia ela veio na minha casa, ficou tempo comigo, comemos pipoca, olhamos filmes e disse uma frase que nunca mais vou esquecer: “Tenho uma coisa pra te falar, só não fica zangado… Eu beijei outro cara, DESCULPA! Foi numa festa que fui com a Bel em PoA!” Bem, acho que não foi bem isso que acabei escutando pois depois das palavras “beijei”, “outro” e “cara” na mesma frase acabei não escutando mais.

Como recebi a noticia?! Ah, das melhores maneiras possíveis, certo?! Flashs passavam em minha cabeça como na vida de Rob Gordon:

Pois é, não tive como continuar o namoro assim. Não dava mais pra confiar. Então, para desestressar toda essa “carga negativa” que estava dentro de mim, resolvi ir a uma festa com bebida liberada e pegar alguma guria lá dentro. Sim, pegar, havia acabado de terminar um namoro, que mais podia fazer?!

Detalhe: a festa era em uma casa totalmente liberada em um bairro próximo ao centro, sem a presença de adultos ou pessoas civilizadas. Chegando no portão de grade, fui informado que para entrar custaria 10 pila + um copo de cachaça (esse grátis, um convite para a festa). Pensei pra mim: “caralho, isso vai dá merda”. Aceitei na hora, entreguei os 10 pilas para o porteiro, tomei meu copo de cana em um gole só e fui esperar meu parceiro dentro da festa.

A primeira impressão já foi ótima. Uma grande sala, com apenas uma mesa e um sofá de 2 lugares, anexada a uma cozinha recepcionava o pessoal. Num canto tinha um disque jóquei nas “puck ups”, no outro um cara espremendo limão com a mão em uma bambona de água vazia entre suas pernas para fazer caipirinha de 20 litros. Cumprimentei o pessoal (yep!) e me dirigi ao outro cômodo, onde havia uma garagem e também uma mesa de bilhar.

Eu não gosto de garagens nem de jogar bilhar e foi aí onde comecei a beber. Nossa, bebi pra cacete naquela noite. Tá certo que só existia caipirinha e cerveja no local, mas foi uma quantia considerável naquela noite. Uma daquelas primeiras que tomamos para calibrar, saca?! Primeiras misturas… Não lembra?! hehehe

Após altas horas dentro da festa e cabaleando atrás de alguma guria interessante lá dentro, apareceu ela: a deusa. Também era conhecida por muitos caras da região como A Lenda. Quando avistei a garota ela brilhava e o tempo parou. Pra mim, era uma linda mulher. Eu tinha 17 anos e ela 22. Uma diferença considerável pois qual é a mulher de 22 anos que vai dar bola para um piá de 17?! Sóbria, acho que nenhuma.

Não me considero um cara feio. Sei que não sirvo para ser um Brad Pitt ou George Clooney, já aprendi essa lição também, só que mesmo com esse desafio e minha cara de guri resolvi falar com ela. Aí viriam horas e horas de negociação, conversa fiada e mais trago.

Ficamos nessa paquerinha adolescente até ela comunicar que estava indo embora. Então, aí caiu a minha ficha: se não for agora espartano, nunca será! E com muita cara de pau e encorajado pelo elixir da cevada e da cana, acompanhei a donzela até o carro. Nesse instante, ela em minha cabeça desfilava ao caminhar. Também me dava muita bola.

Entrou no veículo e baixou o vidro. Se eu escrever qualquer coisa aqui sobre esse último diálogo posso ser interpretado de forma caluniosa. Cansado de toda essa ladainha resolvi partir para a ação: segurei ela pela nuca e taquei um beijo muito foda nela. Depois disso, foi embora e fiquei com um belo sorriso de Coringa estampado na cara. Pelo menos, até o resto daquela madrugada gelada.

Nunca veio a se tornar uma namorada. Nem tinha como, as cabeças eram distintas demais. Sei que tiveram outros encontros, inclusive um (outro dia) dentro do carro dela ao som de Heroin do Velvet, outra ocasião que nunca me esquecerei. Grandes momentos.

E ao contrário do que você está pensando, ela não era nada feia nem baranga, era linda mesmo. Me lembrava bastante os bons tempos da Jennifer Aniston. Quem conheceu sabe do que falo, tratava-se sim de uma lenda legítima:

Uh-lah-lah… Tão boa quanto.

O primeiro dia em que você fica com uma mulher mais velha, você nunca esquece. Nunca. Mas para concorrer a promoção do Jovas eu precisava de uma ocasião também constrangedora, e aí vai. Tá pronto?! OK, tirem as crianças da sala…

Na volta dessa mesma festa, fui a pé com mais 2 amigos para o centro da cidade ver se algum bar ainda se encontrava aberto. Foi nesse trajeto, onde 1 desses amigos começou a falar sobre uma história que me deixou muito constrangido e ao mesmo tempo pensando “WHAT THE HEEL, MAN?!?! WHY ME?!?!” (Posso confirmar a vericidade dos fatos, tenho testemunhas ainda vivas)

Durante a caminhada, eu já recuperado da bebedeira, ia para o centro com meus 2 amigos e uma conversa teve início:

Eu: Bah, peguei a ********!!
Amigo 1: Aham, pior que eu vi e te ajudei com a amiga dela… Mas foda hein!
Amigo 2: Aham, vi também, massa.
Eu: E beija bem pacas… hehe.
Amigo 1: Hehehe.
Amigo 2: …eu um dia, na tua idade, resolvi experimentar novas sensações…
Eu: O que, pegou mais de uma lenda ao mesmo tempo?!
Amigo 1: Ele, Amigo 2?! Juuuura… hehehe.
Amigo 2: Sério, vocês não sabem porque são preconceituosos e também nem querem saber de experimentar coisas novas. Eu um dia já dei o toba… É bom. E hoje em dia, as pessoas tem que ser mais mente aberta, estamos em pleno século 21…

(Aí se deu um silêncio e junto com meu amigo número 1 trocamos olhares que diziam telepaticamente: viado, viado , viaaaaaaado!! Ele deu o TOOOOOOOBA, CARAAAAAALHOOOO!!)

Pela narração não parece, mas nessa parte da conversa surgiu uma puta situação constrangedora. O cara não deve se lembrar de nada da conversa pois se encontrava acima da estratosfera por causa da bebida. Não sei qual é a melhor situação pra se contar isso, mas numa caminhada indo para o centro de madrugada NÃO É!! Não posso mais fazer o trajeto caminhando que me lembro da ocasião…

Ele queria porque queria nos contar a história, então começamos a conversar com ele “sério” e deixar com que se enrolasse no próprio conto, aí depois virou palhaçada e encerramos o assunto. Essa noite foi memorável para muita gente. Muito engraçada também. De certo, vem daí aquela história de que toba de bêbado não tem dono.

Moral da história: não use a bebida como um catalisador ou confessionário, pode contar mais do que queira. Use ela como um elixir de coragem, muito melhor, assim como eu fiz.

Post escrito para a promoção Conte a SUA história do Recomendo, Com Cerveja. Quer concorrer a um livro Cotidiano do Charles Bukowski também?! Veja o regulamento no site e faça já a sua história. Divulgue.

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6 comentários em 'O dia em que me tornei uma lenda pegando outra lenda.'

  1. September 15, 2008 at 1:29 pm
    Carol K.
  2. September 15, 2008 at 6:44 pm
    zack
  3. September 15, 2008 at 7:34 pm
    Jovas
  4. September 17, 2008 at 4:13 pm
    Vanessa Reis
  5. September 18, 2008 at 4:03 am
    Hamilton
  6. September 21, 2008 at 3:13 pm
    mariane

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