Desisti de ser músico

Tudo acaba um dia. Até a sua banda.
Meu irmão um dia comprou um violão para aprender a tocar e divertir-se sempre que possível. Depois de uns anos, ele desistiu sem ao menos montar uma banda. Vendo aquele instrumento jogado ao lado do quarto, resolvi eu abraçá-lo e comunicar meus pais: “Hey, I wanna rooock!”
Não levou muito tempo estava tendo aulas com um professor aqui próximo de casa. Lá, ele me ensinou os acordes básicos, algumas escalas até então malucas e uns acordes que achava impossível de executar.
Nesta época queria tocar músicas que gostava, então levava discos do negro Kravitz e outros para ele tirar as músicas para mim. Foi nesta época que o grunge entrou na minha vida mesclado com muito punk. Muitas vezes levei o Dookie, disco mais conhecido do Green Day, para aprender uma música nova.
O gosto musical foi aprimorado em questões de meses. Enquanto isso, sempre tentava montar uma banda sobre alguma coisa. Não era muito exigente, só queria tocar com mais gente em uma garagem e não mais sozinho em meu quarto.
Algumas poucas vezes isso deu certo. Porém, o que mudou foram os gostos. Comecei a gostar de Smashing Pumpkins e nunca mais escutei Gun’s And Roses. E isto foi um problema a ser enfrentado, já que o 2º guitarrista era fã de Slash e o baixista do Duff. “Oh, fuck!”
Depois de não mais que uns meses, não consegui mais tocar com os caras. Com isso, veio mais um tempo de amadurecimento até realmente conseguir uma banda de verdade para tocar. De verdade não, só que era o mais próximo disso que eu tinha na época.
Éramos 5: bateria, baixo e 3 guitarras. Foi divertido por um tempo até começarem as brigas e notar que queriam era mais fazer sucesso em São Leopoldo do que ganhar público em Porto Alegre. Ou ganhar um público maior pois PoA ainda não é o mundo todo. Não adianta acreditar só por acreditar, também é necessário ser bom e, de fato, a banda não era boa. Acontece.
Depois de 1 ano e meio tocando com esta banda, saí e fiquei 6 meses parado. Só pensando em como fazer para montar uma banda boa. Pensava em como tocar e “estudava o mercado”. Em 2006 quase fiz um duo com bateria e guitarra, porém acabou não rolando.
Levou mais 1 ano e meio para apostar em algo que realmente pensei que me daria satisfação somado com algum tipo de retorno pessoal e financeiro. Agora, éramos 3: 2 guitarras e bateria. Já estávamos com uma amizade foda já que nos conhecíamos há algum tempo.
Só que como @Billy Corgan já disse certa vez “tudo termina, até grandes amores e é por isso que o mundo é tão massa”, a banda terminou as traças. Moda era o nome desta. Custava um posicionamento de banda, coisa que não conseguimos alcançar. E olha que conversamos bastante sobre isso.
Hoje, depois de ver tudo isso ir e vir, cansei de procurar por pessoas novas para tocar. Acredito que seria mais fácil tocar em outro lugar do que aqui na região metropolitana de Porto Alegre. Aqui tem um pessoal fechado para muita coisa. Nunca tão afim de fazer tal coisa, mas se essa tal coisa cria um “boom bacana”, todos estão no mesmo barco e querendo créditos por isso.
Sou partidário de que devemos aprender a parar. Eu quis muito uma banda. Quis muito tocar com meus amigos, realizar festas bacanas e tocar músicas massas. Busquei resultados, iniciativas, mas não rolou mesmo. Uma banda não é feita por uma única pessoa nem também por um ditador. Nunca busquei isso pois interagir sempre foi o mais bacana pra mim.
Outra coisa que me incomoda bastante do pessoal daqui é que não buscam coisas novas nem apostam em bandas locais. Poucas bandas são amigas e existem muitas panelas. Chega ao cúmulo de gostar de uma ou outra pessoa só porque acaba sendo útil pra ti. Todos são aqui assim, dos emos aos punks.
Já acaba sendo um rancor de anos, como vocês podem perceber. Fico por um lado frustrado por acreditar que posso ser bom, tenho potencial, mas não consigo chegar lá sem “lamber muitos ovos”. Não vejo uma troca. São bandas tocando juntas sem muito objetivos. Se ao menos fosse para ganhar dinheiro com isso…
Enfim. Essa pica não é mais minha, passei para as bandas que tocam hoje e ganham uma miséria por isso. Foi bacana. Foi divertido. Não deu em nada e bola pra frente. Sem mais bandas a partir de hoje.







Diego
Cara…faz como eu. Não desiste do troço, aliás, faz tudo ao contrário. Monta uma banda, toca guitarra, se não é vocalista, vira um, cria as músicas em inglês, só compõe, grava, e manda para os selos indepedentes a demo.
Manda um puta fuck you para essas panelas, para as rádios e etc…
Cara eu já desisti desse meio tb. Pelo ao menos do meio daqui.
E por mais que seja difícil, sempre tem um ou outro que estão aí e abrem os braços na maior parceria. O esquema é procurar.
Agora shows…é a parte mais difícil, ainda mais em Porto Alegre, mas juntando 3 ou quatro bandas amigas, certo que rola.
Sei lá, não larga isso cara! Tu é loco!!!!
Euhehuehuehu
Repensa!
Abração
André HP
Dookie é fantástico!
Todo mundo quer montar uma banda, incrível. E o pior é que baterista sempre é escasso.
Hamilton
Diego: Mas velho, o problema é justo a banda. É muito difícil arrumar pessoas que pensam semelhante como nós. Bandas e donos de bares nem quero comentar, enfim.
Tô desanimado, essa é a real. E tô cada vez menos afim de tocar, é isso. Tem outras coisas acontecendo também. Não sei se tem mais espaço pra isso. Não agora.
Celso Augusto
Cara eu to passando por isso, mas o problema é que cada um tem influencias diferente, uma vez um bebado disse pra mim em uma festa ,cara pra montar banda só com os melhores amigos mesmo, mas o grande problema é que cada um tem seus objetivos , um não quer levar a sério o outro não tem as mesmas influencias só toca porque não tem bandas do estilo dele.
Hamilton
Pois é cara. Olha, concelho não posso te dar. Gostaria, mas não rola. Parei de vez e me contentei com isto. As vezes sinto uma falta de tocar e tals, mas só de pensar nisso tudo aí em cima de novo, não tenho vontade.
Melhor sorte pra ti. =)
Celso Augusto
Valew, sorte pra ti tbm !