Já bebeu seu leite hoje?!

René Magritte, 1937.
Eu não me atirava do 8ª andar e nem era preciso fechar os olhos pra não morrer ou não me machucar. Mas como minha imaginação costuma ir além do alcance, viajei bastante desta vez.
Confesso que não me recordo de sonhos. Doutores e estudantes do assunto afirmam que todas as pessoas sonham todos os dias mas só se lembrarão do “acontecido” se caso conseguirem salvar, minutos antes de acordar, a história em seus cérebros.
O sono pode ser dividido em 4 partes:
É somente durante o último estágio, mais precisamente na REM, que você pode sonhar. E o período dura cerca de 20% do tempo total do sono. O mais bizarro é que durante estes poucos minutos, você sonha mais que uma vez mas só é capaz de se lembrar do último sonho.
Você apenas lembrará do sonho se acordar durante esta fase. É nesta parte que você acorda puto da cara e resmungando coisas do tipo: “Poutz, por que acordei agora? A loiraça da primeira fila estava me dando mole…” Ou quase isso.
Pesadelos tem mais chances de serem lembrados por causa do trauma. Calma, a psicologia explica. Lembramos com mais frequencias de pesadelos pois é mais propício que sonhemos com incomodações mundanas do que com o que já está seguro, garantido e resolvido. Afinal, se está tudo bem, não precisamos pensar sobre o assunto, não é mesmo?
Mas como estava dizendo, dificilmente me recordo de meus sonhos. É raro isso acontecer. Não devo acordar durante a REM, deve ser isso. Só que da última vez fiquei incomodado pois o tema (super original e divertido) tratava-se de sobrevivência do mais apto com visões e flashbacks aleatórios.
Estava eu em um mundo sombrio que lembrava muito o tema de Silente Hill. Só que isso passava-se na minha cidade, São Leopoldo. Em uma das estações da cidade, lá estava eu sentado em um banco no grande hall de entrada.
Não costumo fazer isso, já que sempre vou para o 2ª piso, onde o trem passa. Por alguma razão uma sirene tocou. Um barulho infernal e bem semelhante a um toque de recolher em períodos de crise soou. E lá estava eu, tranquilo e observando, sem saber o que fazer até que fechei os olhos e quando abri já estava em outro lugar.
Estava em um navio, escorado no parapeito olhando para o horizonte. Pensei: “Mas como fui parar ali?” Detalhe: nunca andei de navio. E do meu lado havia uma mulher linda que não podia ver seu rosto e de seu lado, mais a minha esquerda, um cara bem vestido. Ouço de novo uma sirene semelhante a primeira. Eles riem e eu continuo calmo como se não existisse para eles.
Vi algumas outras “situações cotidianas” mas sem muito entender. Situações com pessoas desconhecidas e conhecidas. E da última coisa que me recordo foi de ter levantado, ainda durante o sonho (detesto quando isso acontece), para começar meu dia e ter escutado um barulho de tiro. Depois disso: “BOM DIA, vamos levantar?!”
Não sei o que isso quer dizer. Isto aconteceu durante a penúltima semana de aula, quando estava sobrecarregado full time. Não acredito em interpretação de sonhos. Pra mim, tudo não passa de uma proteção de tela que temos em nossas cabeças.
Entretanto, as vezes, o sonho pode ser algo muito interessante. Meio bizarro, porém muito interessante.

Fim de tarde, escritório, relógio, elevador, relógio, botão. Garagem. Caminhada, chave, alarme, porta, chave, primeira marcha, segunda, terceira, quarta, parada. Porteiro. Carros, estrada, cidade. Poluição. Tráfego, stress. Mais stress. Motociclista, espelho, semáforo, crianças, relógio, semáforo. Barulho. Ônibus, caminhão, ciclista, alta velocidade, contramão, freios. Batida. Ferido, sangue, gasolina. Gritaria, pessoas berros. Homem impaciente, homem inconsciente. Sinal verde, primeira marcha, acelerador, segunda, relógio, celular, espelho, colégio das crianças.
Rotina.