Balança, palestra da Record, balança!

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Ontem, como todos sabiam mas que eu não lembrava nem por um milhão de reais, iríamos todos assistir a uma palestra da rede Record em pleno Anfiteatro Padre Werner, na Unisinos. O nome era sugestivo; Televisão: desafios de um mercado em transição. A idéia principal era justamente falar sobre a Record aqui no Rio Grande do Sul. Falar um pouco de seu crescimento e comentar a maneira com que os caras fazem e/ou pensam sobre televisão.

Eram dois palestrantes: Rodrigo Falcão e André Conti Silva. O primeiro, graduado em jornalismo pela Feevale, passou pelo jornal Correio do Povo e agora é responsável pela linha editorial dos programas de esporte da Record. O segundo, graduado pelo curso de publicidade e propaganda da Unisinos, atua dentro do departamento de Criação e Marketing da mesma emissora.

A apresentação não foi nada chata, mal feita ou falhas de equipamento. Pelo contrário, estava tudo muito impecável. Sabiam o que estavam dizendo, tinham e citavam fontes. Eram comunicativos e sabiam exatamente onde queriam chegar. Porém, nesta parte, confesso que me assustaram um pouco.

Comentavam que hoje o profissional de comunicação, para destacar-se dos demais concorrentes, precisa de 2 habilidades acima das demais:

  1. Criatividade
  2. Oportunismo

Não basta fazer televisão hoje em dia sem nenhuma delas. Concordo, hoje o público está muito mais esperto e sabe que o poder está em suas mãos. Só que somando estas duas idéias, podem acontecer programas como o canal da Record já possui.

Mostraram um case de sucesso: Balanço Geral. Faz um puta sucesso. Muita gente assiste e gosta. O programa, aqui no estado, é apresentado pelo Alexandre Motta. Vamos conferir um trechinho dele.

Trata-se de um programa estilo apresentação dramática do Datena e sensacionalista até os últimos fios de cabelo. Mais um video.

Esta abordagem me parece ser o grande trunfo do programa. Sensibiliza, comove, cativa o telespectador para lançar matérias ou até mesmo publicidade, por que não? Aí, nesta parte, pelo menos hoje, estudante de uma universidade de comunicação, não concordo. Só que isso é mérito do pessoal de São Paulo, este formato não foi criado aqui nos pampas não.

Concordo em fazer do programa um macacão de Formula 1. Precisa vender espaço dentro dele pois nada é de graça. O apresentador também necessita criar um vínculo com o público, mas daí ser ele apelativo? Muitos ao assistirem nem devem se dar conta disso. Assim como quando os palestrantes comentaram que trata-se de uma fórmula que está funcionando naquele horário. Beleza, está mesmo.

Funciona ótimamente bem, por sinal. Só que comparar um Balanço Geral com Jornal do Almoço, não pode. São programas distintos. Um deles, soa mais como informação somado a entretenimento do público. Já o outro, tem um jornalismo mais enraizado. Os padrões normais de qualquer outro telejornal: informação e apresentação de notícias por uma dupla de jornalistas em uma bancada.

Isto, foi outra coisa que passou a me incomodar durante a palestra. Citavam o monopólio da RBS TV. A Rede Record, pra não usar um slogan do CQC mas já usando, estavam correndo atrás deles. Querem uma fatia do bolo. Não importa o que vão fazer ou o que precisam fazer, basta ter mais ibope que a concorrência.

Só que da maneira que falam, estão querendo criar um novo monopólio. A Record quer que o público migre pra ela e só isso. Poxa, cadê a história de fazer um canal diferente para o telespectador, onde mostra uma grade nova e nos dá novas opções em outro canal? Oportunismo vale, porém não tanto.

Ainda citaram pesquisas falando sobre o que o público gostaria de assistir. Entrevistaram pessoas aqui na região da grande PoA. Não sei também até onde uma pesquisa dessas ajuda. Ajuda em ter audiência, só que também para por aí. Usaram algumas vezes a palavra inovar. Me parece que deveriam ter trocado por arriscar, teria sido mais justo conosco, estudantes de comunicação.

Outro ponto importante foi a manipulação que fizeram dos fatos. Contaram a história deles, dos vencedores. Disseram que a Record cresceu muito desde sua estréia em junho de 2007. Investimentos foram feito em equipamentos e pessoas qualificadas. Entretanto, pra quem não tinha nada antes, ter alguma coisa hoje já é bastante, não? Eu posso dizer que este blog cresceu 173% neste último mês em números de visita. Assim me parece bacana contar, o blog está crescendo e bem. Só que faltou mencionar uma parte. Deixo de citar que o fato disso ter ocorrido foi um único post meu que parou no Ocioso. Então, que tipo de crescimento foi esse? Poxa², pessoal da Record, somos estudantes mas não idiotas. ABS

E pra finalizar, não citaram transição da televisão alguma. Não comentaram sobre a era digital da tv, assunto que muitos esperavam. Apenas reforçaram que ela não vai acabar. Isso já sabemos. Jornal não acabou, rádio não acabou, revista não acabou. O que faltou comentar na apresentação é que a tv está perdendo sim seu poder de manipulação de massas. Não precisa mais maquiar essa informação, fica feio ”tapar o sol com a peneira”. No Reino Unido a publicidade na internet já supera a da televisão. O mundo está mudando e nem todos os estudantes de comunicação naquele auditório sabiam desta informação.

Bastavam ter trocado o nome da palestra pra este post não existir. E mais uma vez: somos estudantes n00bies de comunicação, muitos sem atuação no mercado de trabalho e/ou na tv, mas não somos idiotas. Não força a barra que não rola, morô? ABS²



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Posted on by Hamilton Posted in Notícias, Televisão, Universidade

Responder como Balança, palestra da Record, balança!

  1. Carol

    Eu não sou da área de comunicação, mas percebo que ultimamente os programas de jornalismo da tv parecem mais de auditório. Sorteiam coisas, dão dinheiro, colocam um palhaço para apresentar. O cara berra, chora, fingi um ataque nervoso na TV só para dizer que está sensibilizado como o telespectador deveria estar. Uma forma das classes “mais baixas” se identificarem com o programa?!
    Além do mais, foi a solução que países como EUA conseguiram para atrair público há uns 20 anos atrás e nós copiamos, e ainda, dizemos que é uma inovação da Tv brasileira. Sei não, vamos ver até quando essa fórmula “pão e circo” de programa aguenta. Ah! A tv digital chegou ontem em Ribs!!! /

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