Antigamente, lá no tempo da Guerra do Paraguai ou até mesmo antes disso, era muito prático e uma mão na roda ter um escravo. Na verdade, eram outros tempos. Podia-se ter um escravo, o governo permitia tratar uma pessoa como uma mercadoria. Era simples: a única coisa que precisava era de um documento escrito, assinado pelo dono e reconhecido pelo governo que aquela pessoa era um escravo e pertencia a ti.

Quando comentei que era prático se ter um escravo, falo na parte do trabalho pesado. Trabalho braçal ninguém nunca quer fazer, sempre o gênero mais peão da palavra, aquele que serve apenas para executar tarefas e ordens. Era muito cômodo se ter vários escravos já que era importante produzir algo (já que a economia na época era praticamente agrícola) em suas terras.

Também era comum ter escravos dentro de sua casa, para cuidar de sua casa. Essas tarefas iam desde uma simples tarefa de limpar a casa até de cuidar de seus filhos, já que por sua vez, o dono da casa geralmente estava trabalhando e a mulher, que não fazia muita coisa, também não estava nem aí para a criação dos filhos. Em muitas casas as coisas continuam do mesmo jeito, só que em tempos modernos, sem mais escravos e sim empregadas/diaristas.

Em média um escravo vivia cerca de sua vida toda trabalhando na propriedade em que mora. Não precisava ser gasto com ele mais do que 1 ou 2 mudas de roupas ao longo de sua vida e o preço pago por 1 excravo, se não me engano e alguém pode me ajudar com isso se souber, era retirado em 2 ou 3 anos de serviços do próprio. Então, não era um negocião?!

Como o mercado era enorme a oferta também era imensa muita gente vendia escravos nessa época, negociava por trocas de mercadoria, comprava, enfim, faziam de tudo. Pra isso tinha de se cuidar todos os detalhes na hora, se tratando de uma mercadoria, a idéia nunca era perder dinheiro, sempre ganhar ou tirar um lucro em cima disso. E escravo pelo que sei nunca teve garantia ou devolução.

Então era muito importante cuidar de certas coisas:

  1. Os dentes: pessoas com dentes saudáveis tem uma ótima saúde;
  2. Manchas ou marcas pelo corpo: tentar prever se estava ou não saudável e se era ou não um mau escravo, se fosse diariamente castigado as marcas seriam visíveis;
  3. Vitalidade: nada de banha ou barriga, tinha de ter vigor, quanto mais músculos melhor;
  4. Se possível, negros: era melhor escolher negros pois eles são mais fortes que os demais e conseguem trabalhar mais horas em um sol escaldante;
  5. Nunca um índio: nunca tente escravizar um índio nem catequisar um, a história nos mostra isso;
  6. Em caso de mulheres: escolha uma bonitinha, sendo você um homem de posses e respeitado, pode fugir da monotonia do casamento quando bem entender que nada vai acontecer.

Viu como não era muito fácil de escolher escravos, ainda mais que era comum a fuga e de seus afrontamentos? Tem de se avaliar todos estes atributos antes de se investir um bom dinheiro em troca de algum, vai por mim. Aqui vai um conselho para o convívio melhor com seu escravo em um futuro próximo ou não:

  • Nunca torne-se amigo de um escravo ou se apaixone por uma, isso nunca acabará bem. Vai deixar de tratar como uma mercadoria e passar a tratar como gente e não é essa a idéia.

Lembre-se disso também: escravos vemos, costumes não sabemos.